
O evento é incomum ou inesperado?
4. O EVENTO É IMCOMUM?
O evento é causado por um agente desconhecido, ou a fonte, veículo ou via de transmissão são incomuns ou desconhecidos.
Explicação da avaliação:
Essa avaliação considera se o agente causador do evento é novo ou ainda desconhecido, ou se não há clareza sobre como ocorre a transmissão. Deve-se identificar rapidamente o agente etiológico envolvido e compreender sua transmissão para implementar as medidas de controle adequadas.
Exemplos no Brasil: Microcefalia associada ao vírus Zika (2015-2016): Inicialmente, a relação entre o vírus Zika e microcefalia congênita era desconhecida. Somente após intensa investigação epidemiológica e laboratorial, confirmou-se a associação inédita do vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, com casos graves de microcefalia.
A evolução dos casos é mais severa do que o esperado ou os sintomas apresentados são incomuns
Nesta situação, é necessário observar a apresentação clínica e a gravidade dos casos. A ocorrência de quadros clínicos atípicos, aumento na taxa de letalidade ou agravamento incomum da condição dos pacientes são fatores que indicam um evento incomum, requerendo investigação imediata para identificação rápida das causas e manejo apropriado.
Exemplo no Brasil: Febre Amarela Silvestre (2017-2018): O aumento inesperado na gravidade dos casos e na letalidade durante o surto de febre amarela em Minas Gerais revelou a necessidade de medidas urgentes de vacinação em massa e ações de saúde pública, já que a evolução clínica observada foi mais severa do que habitualmente documentada.
A ocorrência do evento em si é incomum para a região, estação ou população
Avaliar este critério envolve comparar o evento atual com dados históricos e padrões sazonais locais. O surgimento de doenças infecciosas em locais onde normalmente não são observadas, ou em períodos ou grupos populacionais incomuns, caracteriza um evento anormal que requer atenção imediata.
Exemplo no Brasil:
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Surto de Sarampo em Roraima (2018): O sarampo estava eliminado do Brasil desde 2016, mas ressurgiu de maneira inesperada, afetando principalmente populações migrantes e comunidades vulneráveis na região Norte. Esta situação exigiu mobilização intensa e campanhas emergenciais de vacinação.
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Febre Amarela em áreas urbanas (2008 e 2017-2019): A febre amarela urbana estava eliminada do país desde 1942. O retorno da circulação viral em áreas periurbanas e urbanas, especialmente em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, configurou uma situação incomum, gerando uma resposta rápida e abrangente das autoridades de saúde pública.
4. O EVENTO É INESPERADO SOB A PERSPECTIVA DE SAÚDE PÚBLICA?
A avaliação sobre a ocorrência de um evento inesperado, sob a perspectiva de saúde pública, deve ser orientada por critérios técnicos objetivos que envolvam a identificação da novidade ou raridade do evento, a capacidade dos serviços locais em reconhecer e responder a tais eventos e a relevância do evento em relação ao contexto epidemiológico habitual.
Evento causado por uma doença ou agente que já tenha sido eliminado ou erradicado do Estado Parte ou que não tenha sido notificado anteriormente.
Como avaliar:
Deve-se verificar se o agente ou doença envolvida no evento havia sido considerado erradicado ou eliminado nacionalmente, regionalmente ou localmente, ou se representa uma nova introdução no país ou região, avaliando registros históricos, relatórios epidemiológicos, dados laboratoriais e sistemas de informação em saúde pública.
Exemplos de Eventos no Brasil:
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Sarampo (2018-2019): Após o Brasil ter recebido certificação de eliminação do sarampo em 2016, ocorreu um extenso surto iniciado em 2018, considerado inesperado devido à ausência prévia de circulação endêmica do vírus.
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Febre Amarela (2016-2018): Embora não eliminada, o ressurgimento da febre amarela silvestre em áreas urbanas próximas a grandes centros urbanos (como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) foi considerado incomum pela extensão geográfica atingida e pelo potencial de reintrodução do ciclo urbano.
A correta avaliação desses tópicos permite ao Estado e à comunidade internacional dimensionarem adequadamente a resposta, garantindo o acionamento oportuno de recursos e coordenação intersetorial, conforme descrito no Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e na Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS). Adicionalmente, métricas como as do modelo 7-1-7 são instrumentos objetivos que apoiam na rápida detecção, notificação e resposta inicial às emergências em saúde pública.